Finja

23 11 2010

Se um dia te perguntarem algo e
você não lembrar a resposta

Finja.

Se neste mesmo dia e, ainda,
este alguém se mostra tão
indeferente à sua pergunta ou
resposta,

Finja.

Finja não existir,
não estar ali,
finja sumir.

Finjaaa!!

E se não quiseres finjir,
simplesmente fuja.

Sem deixar rastro, nem sombra,
nem mágoa, nem lágrima.

Suma!

Mas suma de forma que não te
achem e tampouco te
vejam chorar.

Volte, se preferir.
Mas continue a finjir…

…até que um dia você canse
e o alguém deixe de existir,
saia da sua sombra, da sua alma
e tenha o seu perdão.





Imbatível

5 10 2010

Nem vento forte,
Nem cheiro ou
onda do mar,
nem o estar

Nada disso
altera o estágio
da maré

Sopre o mundo,
gritem árvores,
briguem águas

a força se
renova, nos
aquece a alma e
amplia o desejo
de seguir.





Decisão

16 07 2010

Aos 23 resolvi passar meus adolescentes escritos – ou escritos adolescentes! – para um lindo caderno francês, adquirido com esse intuito. Rascunho este, que guardo até hoje. Nele, tive a honra de receber um prefácio do jornalista, professor e poeta Florisvaldo Mattos, escrito em punho, que guardo com muito zelo e carinho.

Hoje, ao folheá-lo, me questionei do por quê não divulgar aqui o início do meu “corre-corre de palavras”. Bem! Eis que decidi compartilhar com vocês. O farei a cada dia de chuva, sol e lua; mesmo que esta não esteja na minha amada cheia.

De professor Flori, apresento aqui um dos meus sabores prediletos: Lua secreta





Rumo

16 06 2010

Olhar perdido diante de tanta imensidão.
Reflexão incessante: no estar de cada coisa, querer… ficar.

Ouça o mar, o vento… no pensamento.

Deixe que sinta e toque no coração,
Sem que se perca na sensação,
desperte.

Erguido e imponente,
siga em frente.
Não olhe pra trás.

Adiante o passo,
entre no compasso,
enfrente.





Beijo da alma

31 05 2010

E quando minha boca vier sugar,
nem inibição, nem pressa.
Só desejo, paixão, permissão.

Não fale, pra não parar!
Sinalize o que desejar.

Enquanto almas, bocas beijar,
de que importa o mundo, senão nós,
a sós, em um beijo?





Ar da alma

31 05 2010

A boca que me suga a alma,
dEsperta. Desconcerta, aquece e
liberta.

A boca da alma que me suga,
eMgole o corpo, estremece e,
de novo, esquenta, invade.

A alma da boca que me suga,
perturba, angustia, enlouquece.

Suga a alma da boca.
Tire  o ar. Faça sonhar, desejar, amar.

Faça a face. Core de rubro. O rubro
fogo, maçã, pecado.

Ande logo, a alma deseja e tem pressa;
o corpo pede, o coração almeja…

…ar.





…rede complexa

11 03 2010

Da chegada do amor

Elisa Lucinda

Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.
Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o “garantido” amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que sua estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis um amor que amasse.





Despertar

18 02 2010

Num susto, levanto.
De um sonho, acordo.
Te busco e não acho,
Em verso, em prosa,
não tenho resposta.
Continuo a buscar…
Te espero.
Canso. Você não vem.
Vou indo.
Adeus e até breve





Canção eterna

30 01 2010

“Sou o homem real, que sua, que mente, que disfarça, que teme, que inveja e cobiça. Tive e tenho os meus momentos de suicida. Não gosto que me conheçam aquém e além de um homem constantemente exposto ao erro e ao crime. É dever do ser humano pressentir em seu semelhante um sem-número de intimidades inconfessáveis. O grande e verdadeiro amor ao próximo é aquele que ama os erros mostrados e pressupostos. [...]“

Antônio Maria – Canção de Fim de Ano – 14/12/1956





Canção de início de ano

2 01 2010

“Que dia maravilhoso haverá, aquele em que for possível telefonar para os melhores amigos e dizer-lhes que houve um ligeiro engano, que não teria sido preciso escrever coisa alguma! E que, dali em diante, nada mais se escreverá, a não ser os nomes e os números necessários das pessoas e das coisas.
[...]
Vivi entre o que viveu. Fui multidão e povo, um lugar ocupado, uma rescendência de suor, uma voz que pediu licença, um olhar que mendigou prazeres e uma parte milesimal dos pés que povoaram. Das minhas mãos, prefiro não contar, a não ser na custosa confissão de que foram mãos vadias. De bem, fizeram a bênção e o carinho… mas o carinho é vadio e, em toda vez que se aparta de Deus, é proibido.
[...]
Sou o rosto fora de foco de uma fotografia em que dezenas de pessoas aparecem em segundo plano. Posso ter ou não a barba crescida; posso trazer ou não uma flor no peito; posso chorar até, e ninguém botará reparo. A fotografia passará de mão em mão e todos os que comigo estiverem desfocados só serão odiados quando não houver mais nada a odiar em primeiro plano.
[...]
Sou o homem real, que sua, que mente, que disfarça, que teme, que inveja e cobiça. Tive e tenho os meus momentos de suicida. Não gosto que me conheçam aquém e além de um homem constantemente exposto ao erro e ao crime. É dever do ser humano pressentir em seu semelhante um sem-número de intimidades inconfessáveis. O grande e verdadeiro amor ao próximo é aquele que ama os erros mostrados e pressupostos. [...]“

Antônio Maria – Canção de Fim de Ano – 14/12/1956








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